quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A motivação

Em 23 de Março de 2011, na edição 56, página 49 do Diário Oficial da União - seção 2, saiu minha nomeação para o cargo de Analista Legislativo, área Informática Legislativa, do Senado Federal e com ela veio a dúvida de trocar uma carreira em ascensão em um dos maiores bancos de investimentos do Brasil, na época UBS Pactual e hoje o BTG Pactual pela tão falada calmaria e morosidade do serviço público brasileiro.

Bom, por que a dúvida nesse momento se a inscrição no concurso foi realizada por livre e espontânea vontade?

Uma breve pausa para a explicação ...

O serviço público sempre foi uma opção, mas, ainda não era uma meta no momento da inscrição que foi motivada pela crise econômica internacional iniciada em 2008 que levou a quebra de diversos bancos e o UBS a demitir um grande número de pessoas ao redor do mundo. Sem fontes oficiais neste momento, apenas me recordo que certo dia, somando o número de demissões enviadas pelos comunicados internos, esse número já passava de 10.000 funcionários. Diante do cenário e com um filho e contas, mas, ainda acreditando que mudaria de classe social no banco, vislumbrei alguns caminhos possíveis: aguardar feito o sapo na panela e torcer para que a água não ficasse quente de mais, pedir pra sair ao estilo do Capitão Nascimento, ou traçar um plano B enquanto os fatos se desenrolavam. A água não ficou tão quente, o capitão nascimento era o mercado e eu não era o zero-um, portanto, a última se mostrou uma boa opção e o plano traçado foi realizar concursos públicos.

Ao longo de 2008, enquanto a crise se estendia, realizei algumas provas. Em 2009 um cenário de melhora se apresentava com a venda do Pactual para os antigos donos e a partir daí interrompi minha investida no plano B. Porém, comparando concurso público com o mercado financeiro, o mesmo pode ser visto como um título de capitalização, um investimento que se paga um dinheirinho para ter retorno quase zero mas você torce para ser contemplado naquele sorteio que o gerente do banco jurou que seria fácil-fácil, principalmente se comprasse dois títulos, e se fossem três, quatro ou cinco, as chances seriam ainda maiores. Meu título-concurso foi comprado e sorteado na data com a qual iniciei escrevendo esse artigo.

Aqui, voltamos ao ponto de interrogação ...
trocar uma carreira em ascensão em um dos maiores bancos de investimentos do Brasil, na época UBS Pactual e hoje o BTG Pactual pela tão falada calmaria e morosidade do serviço público brasileiro.

Uma das primeiras lições que se aprende em um banco de investimento é a relação risco x retorno. Naquele momento, pesei e decidi pelo baixo risco e retornos modestos quando comparados com as práticas de remuneração variável dos bancos de investimento. A divisão de R$ 420 milhões em um banco com aproximadamente 70 sócios e 1000 funcionários o torna curiosamente interessante mesmo sabendo que vivemos em uma sociedade não socialista ou comunista onde não é aplicado um modelo mais igualitário de compensação.

Decidi então,  mesmo com certo receio de problemas de adaptação a direcionar minha carreira para o serviço público, porém, determinado a não abdicar de certos valores que construí ao longo de minha carreira como dedicação, honestidade, ética, profissionalismo e outros que compõem o currículo de muitos. Algo próximo ao que o estagiário aprendeu sobre processos seletivos (últimos segundos da parte 2 do vídeo).

Durante esses quase 6 meses de serviço público, algumas premissas se confirmaram outras não, e, ainda não consigo entender porque o serviço público não tem performance igual ou superior, pelo menos no senso comum, do que a iniciativa privada. Portanto, o objetivo desse blog é registrar minhas preocupações, contribuições, soluções e coletar experiências e sugestões sobre como podemos fazer para que tenhamos um serviço público de excelência. Abaixo, listo os motivadores que levaram a criação desse blog e pretendo  semanalmente publicar informações sobre alguns deles:
  • Motivação, dedicação e comprometimento de servidores públicos: Como obter em um cenário de boa remuneração, estabilidade, baixa valorização e  reconhecimento?
  • Gestão, liderança, decisão e divergências: porque evitar de tomar decisões que desagradam alguns?
  • Compras públicas: como comprar de forma eficiente e eficaz em um cenário tão regulamentado e burocrático?
  • Hipótese de negócio lucrativo: E se os órgãos públicos fossem empresas, a sociedade acionista e os produtos e serviços fossem vendidos. Quanto valeriam? Teria mercado consumidor disposto a pagar? Surgiriam concorrentes? A otimização de custos seria uma meta a ser perseguida?
  • O que faz com que organizações, com pessoas altamente capacitadas, graduadas nas melhores universidades do país, muitos com especialização, mestrado e doutorado, não atenda as exigências da sociedade e sejam alvo constante de reclamações?
  • Integração, modernização, eficiência e eficácia: Administração Pública 2.0, uma visão distante?
  • ... essa lista será periodicamente atualizada e dará norte do blog ...
Ter um blog sempre foi um desejo, só que até hoje ainda não havia encontrado um tópico relativamente interessante e sem milhares de blogs iguais. Agora, acredito que seja um bom tópico e um bom momento para inaugurar minha participação nesse mundo. De boas intenções o mundo está cheio, eu sei, de qualquer forma, tenho a ousadia de começar mais uma para encher ainda mais esse portfólio. 

O blog terá um estilo descontraído e com uma escrita informal (erros irão acontecer, pois, escrever nunca foi meu forte), porém, irei abordar assuntos de interesse comum entres eles principalmente questionamentos sobre o funcionamento das instituições públicas, nesse início, principalmente, sobre o Senado Federal. Espero que gostem e contribuam em tudo o que julgarem necessário.

Aguardo comentários e sugestões!

Um grande abraço, Fabricio Santana!